UM TRATAMENTO CLÍNICO PARA MIOMATOSE UTERINA

Os miomas uterinos são os tumores pélvicos sólidos mais comuns entre as mulheres. Afetam até 30% das mulheres em idade reprodutiva, podendo chegar a até 40% das mulheres com idade acima dos 40 anos.
Na maior parte das vezes, o mioma é uma doença que não apresenta sintomas e regride quando a mulher entra em menopausa, já que é um problema dependente dos estrógenos, que são hormônios produzidos nos ovários. Quando as menstruações cessam em definitivo, porque os ovários entram em falência, ocorre redução acentuada dos miomas, e, como conseqüência, há a atrofia em todo o aparelho genital feminino.
A chamada miomatose uterina, quando sintomática (dores, sangramentos, aumento do fluxo menstrual, cólicas menstruais, distensão abdominal, entre outros sintomas), é a principal causa de cirurgia de retirada do útero. Os tipos ou a presença de sintomas vão depender da localização do(s) nódulo(s).
A cirurgia (histerectomia) não é isenta de riscos e complicações. Podem ocorrer hemorragias, infecções ou lesões em órgãos vizinhos. Além disso, o útero tem importante papel na manutenção da estática pélvica, ou seja, ajuda a manter os órgãos pélvicos em seus lugares, além de ajudar a evitar a queda das paredes vaginais (prolapsos).
Diversos tratamentos, também utilizados para a endometriose, têm sido testados para a miomatose uterina. Um deles em particular, a gestrinona, tem mostrado bons resultados. Foi demonstrado que a gestrinona age como um inibidor de receptores hormonais, no caso, sobre o receptor para estradiol (ERα) existente nos miomas, impedindo sua ação de estímulo ao crescimento, e podendo induzir à redução o volume dos tumores. Os primeiros trabalhos sobre o uso da gestrinona no tratamento de miomatose uterina são da década de 80, quando não se tinha o conhecimento atual de biologia molecular.

FITOTERÁPICOS E DROGAS CONVENCIONAIS: ESSA MISTURA PODE DAR CERTO?

A medicina oriental e a “medicina popular” se desenvolveram milênios antes da medicina ocidental. E é interessante como essa nossa medicina ocidental, cartesiana, simplesmente as ignorou. Deixamos de lado todos os “remédios “ que a natureza nos forneceu em detrimento de drogas químicas, sintéticas, que muitas vezes nos tornam dependentes e sustentam um sistema de medicina baseada na indústria farmacêutica e seu lucro.
Também não estou dizendo que estes medicamentos não têm seu valor e seu espaço, quando bem indicados e dosados. Bons exemplos são os antibióticos, a quimioterapia, entre outros.
Mas por que também não se utilizar dos conhecimentos milenares? Por que não unir forças em prol da melhora da qualidade de vida das pessoas? Dos pacientes? E a um custo bem mais acessível?
Pensando nisso e em busca de novas alternativas e possibilidades para os meus pacientes, para mim e minha família, iniciei uma pós-graduação em Fitoterapia Clínica pelo - Instituto de Pesquisas Ensino e Gestão em Saúde (IPGS), que já estou concluindo.
Fui aprimorar meus conhecimentos porque, durante a faculdade de medicina, não temos uma aula sequer sobre o assunto! E a imagem que fica para nós, alunos, é a de que os fitoterápicos não funcionam, que teriam apenas efeito placebo. Ledo engano! Os fitoterápicos funcionam sim, quando bem indicados e pelo tempo correto, têm indicação precisa, dose, perfil de toxicidade e até interação medicamentosa com outras drogas. Porém, são vendidos sem receita, como “ remedinhos naturais” e a maioria de nós, médicos, nem fica sabendo do que se trata.
Estou finalizando o meu TCC com o tema “ Fitoterapia e o Câncer de Mama” e nos próximos textos publicarei algumas das conclusões sobre a extensa revisão de literatura que fiz sobre o assunto.

DESEJO SEXUAL, DOENÇAS E REMÉDIOS… TUDO ISSO TEM RELAÇÃO?

O desejo sexual pode ser influenciado por inúmeros fatores. É habitual acharmos que por traz dessa queixa há sempre algum problema psicológico ou de relacionamento. Mas a diminuição do desejo pode ser um sintoma de alguma doença, como por exemplo, um problema relativo aos hormônios sexuais (estrógenos e testosterona), alterações na função das suprarrenais, uma patologia de tireoide, doenças da hipófise, anemias, problemas vasculares ou diabetes, entre outras. Pode também ser o único sintoma perceptível de um quadro depressivo que também pode ser considerado como uma patologia orgânica. Os clínicos deveriam perguntar sobre a vida sexual de seus pacientes.
Medicamentos também podem atrapalhar, e muito, a vida sexual do indivíduo e a maior parte dos médicos não pensam nisso ao fazer uma prescrição. Muitos medicamentos podem ser “desanimadores sexuais”. Como exemplo disso podemos citar certos anti-hipertensivos e diuréticos (que, além disso, podem causar disfunção erétil no homem), medicamentos para gastrite e úlcera, antiarrítmicos, antidepressivos, antipsicóticos, etc. Os clínicos deveriam ouvir mais seus pacientes e ouvir menos a indústria farmacêutica que, como todas as indústrias, visa sobretudo o lucro.
Ocorre que a medicina de hoje, exageradamente especializada, perdeu a perspectiva do indivíduo como um todo. O corpo humano foi loteado pelas diversas áreas de atuação, como se fossem feudos em que os proprietários não conversam entre si e não se preocupam se estão prejudicando o vizinho. Mesmo dentro da mesma especialidade esquecemos de sintomas correlatos. No caso de nós ginecologistas, com frequência relegamos a um segundo plano a possibilidade de um contraceptivo oral derrubar a libido e a energia de uma mulher. É como se isso não fosse da nossa conta. Deixamo-nos dominar (principalmente as entidades médicas) pela indústria farmacêutica.
A medicina tem que voltar a ver o ser humano como um todo. Os médicos deveriam voltar a estudar fisiologia. Devemos pensar na qualidade de vida e não só nas doenças e a manutenção de uma vida sexual satisfatória faz parte deste contexto.

Ultrassonografia morfológica fetal

A metade da gestação é um período propício para diversos diagnósticos. Em função do completo desenvolvimento físico e do tamanho do feto que ainda permitem uma adequada busca e visualização das diversas estruturas, é nesta fase que se faz o exame chamado de Ecografia Morfológica Fetal. Este exame é constituído por uma avaliação detalhada da anatomia fetal e pela busca de marcadores que possam levar à suspeita de doenças genéticas. São feitas as medidas biométricas tradicionais do feto, como se faz em todo exame ultrassonográfico, e também as medidas complementares e a descrição em detalhes de toda a morfologia fetal. É um exame mais demorado que o habitual, levando em média de 20 a 40 minutos, na dependência das condições maternas, posição do feto e se alguma anomalia é detectada.
No entanto, por melhor que seja a formação do profissional, nenhum exame é capaz de detectar 100% dos problemas, mesmo que ele seja feito da melhor forma possível. Muitas alterações na anatomia fetal são sutis e alguns problemas podem aparecer com o desenvolvimento da gestação. Por exemplo: alterações funcionais nos órgãos, que não se traduzam por alterações anatômicas, muitas vezes são impossíveis de serem diagnosticadas. Isso também se aplica a problemas neurológicos.
Nessa fase da metade da gestação também é uma boa oportunidade de se avaliar o risco para prematuridade através da medida do colo uterino por via vaginal. É um exame complementar rápido e simples, que permite a prevenção de prematuridade através da indicação de medicamentos específicos, como a progesterona, por exemplo.
Outro exame que é importante neste período é a avaliação do fluxo das artérias uterinas através da Dopplervelocimetria, que pode indicar o risco de desenvolvimento de pré-eclampsia precoce (hipertensão da gestação). Esse exame, aliás, já pode e deve ser realizado no 1º trimestre, para que medidas preventivas possam ser adotadas.

1.Cervical length and obstetric history predict spontaneous preterm birth: development and validation of a model to provide individualized risk assessment
E. CELIK*, M. TO*, K. GAJEWSKA*, G. C. S. SMITH† and K. H. NICOLAIDES* on behalf of The Fetal Medicine Foundation Second Trimester Screening Group *Harris Birthright Research Centre for Fetal Medicine, King’s College Hospital, London and †Department of Obstetrics and Gynaecology, Cambridge University, Cambridge, UK

2.Competing risks model in screening for preeclampsia by maternal characteristics and medical history
David Wright, PhD; Argyro Syngelaki, RM; Ranjit Akolekar, MD; Leona C. Poon, MD; Kypros H. Nicolaides, MD

O uso de anticoncepcionais orais podem trazer problemas?

Muitas pacientes perguntam sobre possíveis efeitos negativos dos anticoncepcionais hormonais. Estudos relatam que eles podem ocorrer sim, mas há alguns critérios a se considerar sobre estes efeitos.
Antes de mais nada, é importante salientar que a pílula teve um papel histórico muito importante na vida das mulheres. Esses medicamentos foram lançados nos anos 60 e tiveram impacto no domínio da mulher sobre seu corpo, pois possibilitou que ela pudesse decidir sobre ter ou não filhos e sobre ter relações sexuais quando bem entendesse. Esse foi um fator crucial na revolução sexual, além de, definitivamente, ter possibilitado à mulher se lançar no mercado de trabalho. Apesar de ser o método mais usado no mundo, seus possíveis efeitos adversos passaram a ser questionados a partir dos anos 1970 e alguns problemas já foram descritos.
Um dos problemas apontados nos estudos sobre o tema é o aumento dos fenômenos vasculares tromboembólicos, como a trombose venosa profunda. Neste caso, os efeitos podem ser de maior ou menor incidência dependendo do tipo da pílula utilizada (de progestínico e da dosagem do estrógeno, no caso das ditas pílulas combinadas).
As possibilidades do aumento das ocorrências de infarto agudo do miocárdio e de acidente vascular cerebral também foram problemas descritos nos estudos realizados até o momento.
Há relatos, ainda, do aumento do risco de câncer de mama; no entanto, isso parece ser relacionado com o início de uso precoce do medicamento, não havendo dados conclusivos a respeito. Foram descritos efeitos como a diminuição dos níveis séricos da coenzima Q10, que é um fator essencial para a produção de energia nas células, e a diminuição da vitamina E, o que reduz a capacidade antioxidante total (os antioxidantes diminuem os radicais livres que podem causar vários danos ao organismo, como por exemplo, o favorecimento ao depósito de placas nas paredes arteriais, diminuindo sua elasticidade e propiciando o aparecimento de hipertensão arterial).
Pode também haver um efeito negativo no perfil lipídico, com aumento do colesterol total e do colesterol “ruim”. A significativa inibição da produção de testosterona e depois do estradiol pode causar diminuição do desejo e prejuízos à resposta sexual. Mesmo a interrupção do contraceptivo pode ocasionar a persistência do aumento de uma proteína chamada SHBG, que se liga à testosterona e a torna indisponível.
Apesar de todos estes relatos científicos, você pode ser uma usuária de anticoncepcionais e nunca sofrer desses efeitos. A maioria das situações descritas é silenciosa e assintomática. Para os casos selecionados há outros métodos disponíveis que merecem ser considerados. Converse com seu médico para saber qual o melhor tratamento.

ORGASMO E ANORGASMIA

O orgasmo tem uma forte relação com o desejo sexual. Um reforça o outro, e a ausência de um podem prejudicar o outro. O orgasmo pode ocorrer se o clitóris for estimulado de forma efetiva. Isso pode ser feito durante a penetração vaginal, no sexo oral, no coito anal ou pela masturbação, seja feita pela própria mulher ou pelo (a) parceiro (a).
Apesar de algumas mulheres terem preferência pelo estímulo na penetração, este não é o único fator que pode levá-las a atingir o orgasmo. Algumas mulheres, inclusive, acham impossível o orgasmo ocorrer na penetração vaginal, mas conseguem atingi-lo por outros estímulos no clitóris.
O orgasmo é uma sensação de prazer intenso, com contrações fortes na região dos genitais, seguida de uma sensação de relaxamento. Cada pessoa tem seu próprio orgasmo e a intensidade deste pode variar devido ao tipo de estímulo, condições do ambiente, relaxamento, aspectos físicos e psicológicos.
A anorgasmia é definida como uma inibição persistente ou recorrente ou a ausência de orgasmo após uma fase normal de excitação sexual. As causas da Anorgasmia podem ter diversas causas, tais como: estimulação física inadequada, problemas no relacionamento físico ou emocional do casal, descompasso no ritmo dos parceiros, tratamentos cirúrgicos que alterem a sensibilidade local ou até mesmo o medo de perder o controle. Problemas orgânicos, como o pós-parto e a menopausa, ou distúrbios psíquicos, como depressão e ansiedade, que causem transtornos do desejo sexual, também podem afetar o clímax
Estudos mostram que cerca de 20 a 30% das mulheres têm incapacidade de atingir o orgasmo durante a relação sexual. No entanto, muitas mulheres, mesmo sem atingir esse clímax durante o sexo, relatam ter uma vida sexual satisfatória. Mas se a ausência do orgasmo é algo que causa insatisfação, pode haver um distúrbio e isso merece tratamento. A anorgasmia pode causar sensação de incompetência, de inferioridade, de frustração, e a mulher pode sentir-se mal pela ausência da sensação de liberação que o orgasmo proporciona.
Em terapia sexual existem técnicas gerais e técnicas específicas que podem ajudar à mulher a buscar o caminho. Além disso, uma relação romântica e com criatividade motiva o envolvimento nas relações físicas e leva à maior satisfação sexual. Conflitos no relacionamento levam à angústia, causam dificuldade de concentração no ato sexual e dificultam o prazer. Relacionamentos saudáveis e com diálogo facilitam o prazer. Cultivar boas relações e conversar muito com seu parceiro podem ser bons caminhos para uma relação prazerosa.

IMPLANTES HORMONAIS E OUTRAS VIAS UTILIZADAS EM TERAPIA HORMONAL

Entenda as diferentes formas de administração de medicamento nos tratamentos de reposição hormonal.

A administração de um medicamento pode ser realizada por uma variedade de vias. A escolha dessa via depende do tipo de droga e de fatores relacionados ao paciente, como por exemplo, a necessidade de rapidez de ação, a própria ação que se deseja, a natureza e quantidade da droga a ser administrada, além das condições clínicas do paciente. Podem-se dividir as vias em parenteral e enteral. As vias parenterais incluem as injeções, as vias transdérmica e transmucosa e os implantes subcutâneos, ou seja, tudo o que não é absorvido pelo aparelho digestivo. As vias enterais são as drogas de uso retal e oral. Vamos falar aqui somente de algumas vias.

As vias de administração possuem vantagens e desvantagens. Na via enteral, por exemplo,a absorção da droga varia, e isto pode tornar-se um problema se o efeito terapêutico não for atingido ou se estiver muito próximo da toxicidade. Também pode ocorrer irritação da mucosa. O principal problema dessa via, no entanto, pode ser o metabolismo pelo fígado antes da substância alcançar o seu local de ação. O processo é conhecido como primeira passagem, isto é, o medicamento passa, a partir do aparelho digestivo, pelo fígado, antes de atingir qualquer outro órgão.

As vias transdérmica (administrado na pele) e transmucosa (administrado intra-vaginal ou em outro tipo de mucosa) têm sido muito utilizadas na formulação da chamada terapia hormonal, com formulações que contém os hormônios considerados bioidênticos àqueles produzidos pelo organismo. Também se utilizam outras drogas as quais têm melhor efeito por via não parenteral, como a Gestrinona, da qual falaremos mais adiante. Como as preparações utilizam técnicas de manipulação (farmácia magistral) as doses podem ser individualizadas. Hoje dispomos de veículos que garantem uma excelente absorção pela pele e a correção do PH permite sua utilização por via vaginal.

Os implantes hormonais são pequenas hastes onde são depositados diferentes tipos de hormônios.  Os estudos dessa técnica começaram há mais de 40 anos com o Dr. Elsimar Coutinho na Bahia e alguns hormônios sintéticos (esteroides) usados no mundo todo foram desenvolvidos por ele. Especificamente na empresa fundada pelo cientista são produzidos implantes não absorvíveis. São utilizados pequenos tubos de silicone semipermeáveis que medem entre 4 e 5 cm, onde é depositado o medicamento. A liberação para a corrente circulatória é gradual ao longo de 6 meses a 1 ano, na dependência de qual substância se está utilizando. Estão disponíveis as drogas Gestrinona, Testosterona, Levonorgestrel, Estradiol, Nestorone e Nomegestrol – que servem para diferentes finalidades. As principais são o tratamento da endometriose, da tensão pré-menstrual, dos sintomas relativos à menopausa e a contracepção. Implantes com Testosterona também podem ser utilizados em homens no caso de deficiência deste hormônio.

Há uma outra empresa, que produz implantes absorvíveis, com custo menor, no entanto, há dificuldade em se conseguir obter a estabilização do efeito do medicamento. Nesse caso o tempo de ação fica restrito, e de certa forma imprevisível, entre 3,5 e 6 meses. Nesse caso geralmente ocorre a suplementação pela via transdérmica, até que se conclua que os implantes têm que ser repostos. Mas isto não chega a ser um empecilho para a utilização desse método e muitas pacientes se adaptam. Essa mesma empresa formula outros produtos adicionais na forma de implantes (como metformina, progesterona bioidêntica e hidrocortisona, por exemplo) que podem ser usadas como coadjuvantes ou em outras situações específicas.

Há uma certa polêmica em torno da droga Gestrinona que é excepcional nos casos de endometriose e em alguns casos de mioma, além de ter ação contraceptiva.  Ocorre que a sustância tem como efeito colateral benéfico o ganho de massa muscular, além de massa óssea e certa redução da lipodistrofia ginóide (conhecida como “celulite”). Por esse motivo, uma personagem conhecida da mídia a apelidou de “chip da beleza”. Não consideramos esse termo adequado, pois não se trata de um chip e o objetivo não é a beleza. Além disso, mulheres com sobrepeso, que não têm uma alimentação adequada e que não fazem atividade física, certamente irão se decepcionar com o efeito do fármaco, podendo até mesmo ter ganho de peso.

Somente médicos credenciados e devidamente treinados pelos fabricantes dos implantes estão aptos a indicar e aplicar os mesmos.

Dia da Mulher: evento chama a atenção para a violência sexual

O atendimento às vítimas de violência sexual, sob o ponto de vista da Sexologia Forense, e a inclusão, em breve, da identificação automática do DNA no sêmen obtido nos exames das vítimas foram alguns dos assuntos apresentados por José Leprevost durante o evento “Todos por Elas: viver sem violência no Paraná”, realizado no Sesc da Esquina, em Curitiba, no Dia Internacional da Mulher (8 de março).

“Todas as formas de violência vêm crescendo muito em nosso meio e é importante a vítima procurar uma unidade de saúde o mais breve possível para prevenir eventuais agravos”, disse Leprevost.

O evento foi organizado pela Secretaria Estadual de Saúde do Paraná (Sesa), Secretaria Municipal da Saúde de Curitiba (SMS) e pelos conselhos de Saúde estadual e municipal. Um dos objetivos principais do evento foi orientar as vítimas a procurarem os canais corretos para registrar a violência e fazer exames.

A secretária municipal de Saúde de Curitiba, Márcia Huçulak, lembrou da importância da mulher nos equipamentos de saúde da cidade, sendo que elas compõem 80% do quadro funcional. Registrou ainda que as mulheres sofrem não só violência física, mas moral e intelectual. “Ainda é necessário muita educação e qualidade de vida para as mulheres”, alertou.

Dados apresentados no evento deram conta de que, com exceção da faixa etária entre 5 e 9 anos de idade, em todas as demais a violência contra o gênero feminino é maior do que contra o gênero masculino. Assédio e estupro predominam em todas as faixas etárias, sendo que naquela entre 10 e 19 anos, o problema é mais frequente.

Novo medicamento contra o câncer deve combater proteínas que estimulam a doença

Por Dra. Ana Carolina Marcondes Machado Leprevost

 

Nos últimos anos aprendemos que o câncer de mama não é uma doença só! São várias doenças, com comportamentos ditados pela sua biologia molecular, com um único nome, pois começam no mesmo órgão: A MAMA. Baseado nisso, vários medicamentos estão sendo pesquisados e alguns com resultados muitos expressivos.

Aproximadamente 80% dos tumores mamários expressam receptores hormonais (de estrogênio e/ ou progesterona), ou seja, esses hormônios estimulariam o crescimento das células malignas. Já existem estratégias bem estabelecidas para impedir esse crescimento, tais como bloquear a fabricação de hormônios com os medicamentos da classe dos inibidores da aromatase (como o Letrozol, nome comercial Femara; o Anastrozol, nome comercial Arimidex; e o Exemestano, nome comercial Aromasin); e também bloquear o receptor do hormônio (como o Tamoxifeno, nome comercial Nolvadex, entre outros). A supressão da proteína dos receptores de estrogênio (como o fulvestranto, nome comercial Faslodex) também seria uma estratégia.

Uma das alterações mais importantes desse tipo de câncer de mama, recentemente identificado, foi a função muito aumentada de algumas proteínas que estimulam as células a crescerem e se multiplicarem, conhecidas como CDK4 e 6 (Cyclin-Dependent Kinase). Estas são partes normais da célula humana, mas que neste tipo de tumor funcionam muito mais rápido do que deveriam, fazendo o tumor crescer.

O Palbociclibe (nome comercial Ibrance) é um medicamento que age justamente bloqueando a ação destas proteínas. Recentemente foi solicitado a inclusão desse medicamento nos registros da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), não só como alternativa de tratamento para pacientes com doença metastática, mas como primeira linha em combinação com terapia endócrina:

– com letrozol como terapia endócrina inicial em mulheres pós-menopausa;

– com fulvestranto em mulheres que receberam terapia prévia.

A solicitação de registro foi protocolada em 1º de setembro de 2016. Foram solicitadas informações adicionais à empresa por meio de exigência técnica, e estas informações estão em avaliação pela Anvisa. O ensaio clínico com a substância já foi aprovado.

As diferenças da resposta sexual em homens e mulheres

Por Dr. José Antônio Leprevost Neto

As queixas de ordem sexual estão cada vez mais frequentes no consultório do ginecologista, sendo que as mais ouvidas são relacionadas ao desejo sexual. As mulheres falam da diminuição ou da falta da libido, e que seus parceiros reclamam que não são procurados por elas, ficando a iniciativa a cargo do homem. Essa queixa, muito comum em relacionamentos de longa duração, também acontece em relacionamentos recentes ou mesmos sem um parceiro fixo. A ausência de libido não é exclusiva de relacionamentos heterossexuais, ocorrendo também em casais homoafetivos. Isso não quer dizer obrigatoriamente que os problemas sexuais estejam aumentando, mas talvez signifique que a mulher há muito tempo abandonou a atitude passiva de simples aceitação das coisas como sempre lhe foram impostas culturalmente e no seu “empoderamento”, busca se apoderar também do seu corpo e de seu prazer. Por outro lado, o que se vê hoje são os próprios parceiros estimulando a mulher a procurar auxílio para “tratar” a ausência de desejo.

Mas há algo a ser tratado? Falando apenas de relacionamentos heterossexuais tradicionais, as respostas sexuais masculinas e femininas possuem algumas particularidades que as diferenciam, tanto no aspecto biológico, como no aspecto sócio-cultural. A resposta sexual é um processo constituído por uma seqüência conhecida de alterações fisiológicas que independem de qual seja a prática sexual (masturbação, coito, etc.). As diferenças entre homens e mulheres podem até facilitar as coisas para a maioria dos homens, pois biologicamente, as características físicas e hormonais, permitem que os membros do sexo masculino tenham uma reposta mais rápida às fantasias sexuais ou a qualquer estimulação erótica. Assim, um homem pode ter seus impulsos sexuais facilmente saciados. Se as experiências forem bem sucedidas, haverá reforços para comportamentos semelhantes posteriores e, por mecanismo de condicionamento, pode-se estabelecer um padrão, que geralmente vai modular a forma como o indivíduo se comportará com suas parceiras.

Esse padrão de “eficiência masculina”, que é enormemente reforçado pela nossa cultura, por vezes é prejudicial à mulher. Geralmente, a resposta sexual das mulheres é mais complexa que a dos homens. Poder-se-ia dizer que é mais rica e mais sensível. Se o relacionamento com o parceiro estiver a contento, se as condições de resposta estiverem preservadas, isto é, se não houver fatores inibitórios (como certos medicamentos, doenças ou problemas físicos) e a estimulação física for satisfatória, pode ocorrer a excitação sexual. A excitação desperta o desejo, que pode evoluir para a satisfação física e emocional. Essa satisfação feminina pode ser acompanhada de orgasmo (que nem sempre ocorre e nem em todas as relações, mas isto pode ser satisfatório para muitas mulheres).

As pessoas têm condições de resposta sexual variáveis, mais espontânea ou mais receptiva, sendo essa última forma mais comum nas mulheres. A resposta sexual feminina baseia-se mais na intimidade. Então, é natural a mulher “não procurar o parceiro”, colocando-se mais em uma situação de receptividade, e ser tanto mais receptiva quanto mais satisfatória tenha sua vivência sexual com aquele parceiro ou em suas experiências sexuais anteriores. Em relacionamentos de maior duração, em que a hábito da convivência está presente, é preponderante esta resposta chamada de cíclica (em que a intimidade, a privacidade e a estimulação física adequadas, levam à excitação e ao desejo sexual).

As mulheres então nos perguntam se é normal não sentir desejo, e se tem como tratamento. Com já descrito, na rotina do dia-a-dia o desejo sexual feminino espontâneo não é o mais comum, então não há que se falar em normalidade. Aliás, o conceito de “normalidade” não se aplica em sexualidade, desde que não estejamos falando em desvios sexuais (parafilias). O desejo sexual que se desperta, que reage em condições adequadas, não está ausente, apenas não está espontâneo. Como médicos, temos que estimular a mulher a despertar sua sexualidade e aos casais que busquem momentos de intimidade, com comunicação e estimulação física adequados. No homem, a capacidade de obter e manter uma ereção geralmente basta para retroalimentar sua excitação. Na mulher, a excitação depende mais de processos cognitivos (percepção, conhecimento, imaginação, memória) sobre os estímulos recebidos do que propriamente um processo genital.

É verdade que os casais não se mantém apenas movidos pelo sexo, mas os múltiplos apelos aos quais as pessoas são submetidas na sua rotina, e a grande carga de tarefas e necessidades que a sociedade e nós mesmos nos impomos, vão jogando a intimidade do casal para planos cada vez mais inferiores. Isso, associado à nossa estrutura cultural de sobrepor a produção ao prazer, torna os momentos íntimos a dois cada vez mais raros, o que pode afetar a sexualidade de um ou de ambos. A face sexual de um relacionamento pode ser uns dos pilares que o mantém ou que o destrói.

Minha primeira visita ao mastologista. E agora?

Por Dra. Ana Carolina Machado

Visitar com regularidade o ginecologista é hábito de muitas mulheres. No entanto, nem todas procuram com a mesma regularidade o consultório do mastologista.
De acordo com dados do Instituto Nacional do Câncer (Inca), o câncer de mama é câncer mais comum entre as mulheres no mundo e no Brasil, depois do de pele não melanoma, respondendo por cerca de 28% dos casos novos a cada ano. O mastologista, por ser o especialista em mamas, é o médico mais indicado para identificar e diagnosticar qualquer alteração nas mamas das pacientes, além de estar apto a realizar os exames mais adequados para descartar possibilidades ou iniciar os melhores tratamentos.
Na primeira consulta ao mastologista, a paciente vai ser examinada para que o médico possa avaliar se existem alterações, congênitas ou não, más formações, assimetrias e até alterações esticas.
De acordo com a mastologista Ana Carolina Machado, o especialista poderá, a partir do diagnóstico, identificar patologias benignas ou, caso haja suspeita de problemas mais graves, ele poderá indicar quais exames são recomendados. “Esta visita ao mastologista é importante porque, caso a paciente tenha percebido algum tipo de alteração nas mamas, o médico vai poder descartar chances de câncer de mama ou identificá-lo o mais precocemente possível, o que aumenta e muito as chances de cura”, explica a mastologista.
Além disso, alguns mastologistas fazem avaliações estéticas das mamas e estão aptos a fazerem correções deste tipo. Se você nunca procurou um mastologista, marque sua consulta e previna-se Quanto mais cedo forem diagnosticados problemas nas mamas, mais rápido e fácil será o tratamento.