O desejo sexual pode ser influenciado por inúmeros fatores. É habitual acharmos que por traz dessa queixa há sempre algum problema psicológico ou de relacionamento. Mas a diminuição do desejo pode ser um sintoma de alguma doença, como por exemplo, um problema relativo aos hormônios sexuais (estrógenos e testosterona), alterações na função das suprarrenais, uma patologia de tireoide, doenças da hipófise, anemias, problemas vasculares ou diabetes, entre outras. Pode também ser o único sintoma perceptível de um quadro depressivo que também pode ser considerado como uma patologia orgânica. Os clínicos deveriam perguntar sobre a vida sexual de seus pacientes.
Medicamentos também podem atrapalhar, e muito, a vida sexual do indivíduo e a maior parte dos médicos não pensam nisso ao fazer uma prescrição. Muitos medicamentos podem ser “desanimadores sexuais”. Como exemplo disso podemos citar certos anti-hipertensivos e diuréticos (que, além disso, podem causar disfunção erétil no homem), medicamentos para gastrite e úlcera, antiarrítmicos, antidepressivos, antipsicóticos, etc. Os clínicos deveriam ouvir mais seus pacientes e ouvir menos a indústria farmacêutica que, como todas as indústrias, visa sobretudo o lucro.
Ocorre que a medicina de hoje, exageradamente especializada, perdeu a perspectiva do indivíduo como um todo. O corpo humano foi loteado pelas diversas áreas de atuação, como se fossem feudos em que os proprietários não conversam entre si e não se preocupam se estão prejudicando o vizinho. Mesmo dentro da mesma especialidade esquecemos de sintomas correlatos. No caso de nós ginecologistas, com frequência relegamos a um segundo plano a possibilidade de um contraceptivo oral derrubar a libido e a energia de uma mulher. É como se isso não fosse da nossa conta. Deixamo-nos dominar (principalmente as entidades médicas) pela indústria farmacêutica.
A medicina tem que voltar a ver o ser humano como um todo. Os médicos deveriam voltar a estudar fisiologia. Devemos pensar na qualidade de vida e não só nas doenças e a manutenção de uma vida sexual satisfatória faz parte deste contexto.