Muitas pacientes perguntam sobre possíveis efeitos negativos dos anticoncepcionais hormonais. Estudos relatam que eles podem ocorrer sim, mas há alguns critérios a se considerar sobre estes efeitos.
Antes de mais nada, é importante salientar que a pílula teve um papel histórico muito importante na vida das mulheres. Esses medicamentos foram lançados nos anos 60 e tiveram impacto no domínio da mulher sobre seu corpo, pois possibilitou que ela pudesse decidir sobre ter ou não filhos e sobre ter relações sexuais quando bem entendesse. Esse foi um fator crucial na revolução sexual, além de, definitivamente, ter possibilitado à mulher se lançar no mercado de trabalho. Apesar de ser o método mais usado no mundo, seus possíveis efeitos adversos passaram a ser questionados a partir dos anos 1970 e alguns problemas já foram descritos.
Um dos problemas apontados nos estudos sobre o tema é o aumento dos fenômenos vasculares tromboembólicos, como a trombose venosa profunda. Neste caso, os efeitos podem ser de maior ou menor incidência dependendo do tipo da pílula utilizada (de progestínico e da dosagem do estrógeno, no caso das ditas pílulas combinadas).
As possibilidades do aumento das ocorrências de infarto agudo do miocárdio e de acidente vascular cerebral também foram problemas descritos nos estudos realizados até o momento.
Há relatos, ainda, do aumento do risco de câncer de mama; no entanto, isso parece ser relacionado com o início de uso precoce do medicamento, não havendo dados conclusivos a respeito. Foram descritos efeitos como a diminuição dos níveis séricos da coenzima Q10, que é um fator essencial para a produção de energia nas células, e a diminuição da vitamina E, o que reduz a capacidade antioxidante total (os antioxidantes diminuem os radicais livres que podem causar vários danos ao organismo, como por exemplo, o favorecimento ao depósito de placas nas paredes arteriais, diminuindo sua elasticidade e propiciando o aparecimento de hipertensão arterial).
Pode também haver um efeito negativo no perfil lipídico, com aumento do colesterol total e do colesterol “ruim”. A significativa inibição da produção de testosterona e depois do estradiol pode causar diminuição do desejo e prejuízos à resposta sexual. Mesmo a interrupção do contraceptivo pode ocasionar a persistência do aumento de uma proteína chamada SHBG, que se liga à testosterona e a torna indisponível.
Apesar de todos estes relatos científicos, você pode ser uma usuária de anticoncepcionais e nunca sofrer desses efeitos. A maioria das situações descritas é silenciosa e assintomática. Para os casos selecionados há outros métodos disponíveis que merecem ser considerados. Converse com seu médico para saber qual o melhor tratamento.