Entenda as diferentes formas de administração de medicamento nos tratamentos de reposição hormonal.

A administração de um medicamento pode ser realizada por uma variedade de vias. A escolha dessa via depende do tipo de droga e de fatores relacionados ao paciente, como por exemplo, a necessidade de rapidez de ação, a própria ação que se deseja, a natureza e quantidade da droga a ser administrada, além das condições clínicas do paciente. Podem-se dividir as vias em parenteral e enteral. As vias parenterais incluem as injeções, as vias transdérmica e transmucosa e os implantes subcutâneos, ou seja, tudo o que não é absorvido pelo aparelho digestivo. As vias enterais são as drogas de uso retal e oral. Vamos falar aqui somente de algumas vias.

As vias de administração possuem vantagens e desvantagens. Na via enteral, por exemplo,a absorção da droga varia, e isto pode tornar-se um problema se o efeito terapêutico não for atingido ou se estiver muito próximo da toxicidade. Também pode ocorrer irritação da mucosa. O principal problema dessa via, no entanto, pode ser o metabolismo pelo fígado antes da substância alcançar o seu local de ação. O processo é conhecido como primeira passagem, isto é, o medicamento passa, a partir do aparelho digestivo, pelo fígado, antes de atingir qualquer outro órgão.

As vias transdérmica (administrado na pele) e transmucosa (administrado intra-vaginal ou em outro tipo de mucosa) têm sido muito utilizadas na formulação da chamada terapia hormonal, com formulações que contém os hormônios considerados bioidênticos àqueles produzidos pelo organismo. Também se utilizam outras drogas as quais têm melhor efeito por via não parenteral, como a Gestrinona, da qual falaremos mais adiante. Como as preparações utilizam técnicas de manipulação (farmácia magistral) as doses podem ser individualizadas. Hoje dispomos de veículos que garantem uma excelente absorção pela pele e a correção do PH permite sua utilização por via vaginal.

Os implantes hormonais são pequenas hastes onde são depositados diferentes tipos de hormônios.  Os estudos dessa técnica começaram há mais de 40 anos com o Dr. Elsimar Coutinho na Bahia e alguns hormônios sintéticos (esteroides) usados no mundo todo foram desenvolvidos por ele. Especificamente na empresa fundada pelo cientista são produzidos implantes não absorvíveis. São utilizados pequenos tubos de silicone semipermeáveis que medem entre 4 e 5 cm, onde é depositado o medicamento. A liberação para a corrente circulatória é gradual ao longo de 6 meses a 1 ano, na dependência de qual substância se está utilizando. Estão disponíveis as drogas Gestrinona, Testosterona, Levonorgestrel, Estradiol, Nestorone e Nomegestrol – que servem para diferentes finalidades. As principais são o tratamento da endometriose, da tensão pré-menstrual, dos sintomas relativos à menopausa e a contracepção. Implantes com Testosterona também podem ser utilizados em homens no caso de deficiência deste hormônio.

Há uma outra empresa, que produz implantes absorvíveis, com custo menor, no entanto, há dificuldade em se conseguir obter a estabilização do efeito do medicamento. Nesse caso o tempo de ação fica restrito, e de certa forma imprevisível, entre 3,5 e 6 meses. Nesse caso geralmente ocorre a suplementação pela via transdérmica, até que se conclua que os implantes têm que ser repostos. Mas isto não chega a ser um empecilho para a utilização desse método e muitas pacientes se adaptam. Essa mesma empresa formula outros produtos adicionais na forma de implantes (como metformina, progesterona bioidêntica e hidrocortisona, por exemplo) que podem ser usadas como coadjuvantes ou em outras situações específicas.

Há uma certa polêmica em torno da droga Gestrinona que é excepcional nos casos de endometriose e em alguns casos de mioma, além de ter ação contraceptiva.  Ocorre que a sustância tem como efeito colateral benéfico o ganho de massa muscular, além de massa óssea e certa redução da lipodistrofia ginóide (conhecida como “celulite”). Por esse motivo, uma personagem conhecida da mídia a apelidou de “chip da beleza”. Não consideramos esse termo adequado, pois não se trata de um chip e o objetivo não é a beleza. Além disso, mulheres com sobrepeso, que não têm uma alimentação adequada e que não fazem atividade física, certamente irão se decepcionar com o efeito do fármaco, podendo até mesmo ter ganho de peso.

Somente médicos credenciados e devidamente treinados pelos fabricantes dos implantes estão aptos a indicar e aplicar os mesmos.