Por Dra. Ana Carolina Marcondes Machado Leprevost

 

Nos últimos anos aprendemos que o câncer de mama não é uma doença só! São várias doenças, com comportamentos ditados pela sua biologia molecular, com um único nome, pois começam no mesmo órgão: A MAMA. Baseado nisso, vários medicamentos estão sendo pesquisados e alguns com resultados muitos expressivos.

Aproximadamente 80% dos tumores mamários expressam receptores hormonais (de estrogênio e/ ou progesterona), ou seja, esses hormônios estimulariam o crescimento das células malignas. Já existem estratégias bem estabelecidas para impedir esse crescimento, tais como bloquear a fabricação de hormônios com os medicamentos da classe dos inibidores da aromatase (como o Letrozol, nome comercial Femara; o Anastrozol, nome comercial Arimidex; e o Exemestano, nome comercial Aromasin); e também bloquear o receptor do hormônio (como o Tamoxifeno, nome comercial Nolvadex, entre outros). A supressão da proteína dos receptores de estrogênio (como o fulvestranto, nome comercial Faslodex) também seria uma estratégia.

Uma das alterações mais importantes desse tipo de câncer de mama, recentemente identificado, foi a função muito aumentada de algumas proteínas que estimulam as células a crescerem e se multiplicarem, conhecidas como CDK4 e 6 (Cyclin-Dependent Kinase). Estas são partes normais da célula humana, mas que neste tipo de tumor funcionam muito mais rápido do que deveriam, fazendo o tumor crescer.

O Palbociclibe (nome comercial Ibrance) é um medicamento que age justamente bloqueando a ação destas proteínas. Recentemente foi solicitado a inclusão desse medicamento nos registros da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), não só como alternativa de tratamento para pacientes com doença metastática, mas como primeira linha em combinação com terapia endócrina:

– com letrozol como terapia endócrina inicial em mulheres pós-menopausa;

– com fulvestranto em mulheres que receberam terapia prévia.

A solicitação de registro foi protocolada em 1º de setembro de 2016. Foram solicitadas informações adicionais à empresa por meio de exigência técnica, e estas informações estão em avaliação pela Anvisa. O ensaio clínico com a substância já foi aprovado.