Dia da Mulher: evento chama a atenção para a violência sexual

O atendimento às vítimas de violência sexual, sob o ponto de vista da Sexologia Forense, e a inclusão, em breve, da identificação automática do DNA no sêmen obtido nos exames das vítimas foram alguns dos assuntos apresentados por José Leprevost durante o evento “Todos por Elas: viver sem violência no Paraná”, realizado no Sesc da Esquina, em Curitiba, no Dia Internacional da Mulher (8 de março).

“Todas as formas de violência vêm crescendo muito em nosso meio e é importante a vítima procurar uma unidade de saúde o mais breve possível para prevenir eventuais agravos”, disse Leprevost.

O evento foi organizado pela Secretaria Estadual de Saúde do Paraná (Sesa), Secretaria Municipal da Saúde de Curitiba (SMS) e pelos conselhos de Saúde estadual e municipal. Um dos objetivos principais do evento foi orientar as vítimas a procurarem os canais corretos para registrar a violência e fazer exames.

A secretária municipal de Saúde de Curitiba, Márcia Huçulak, lembrou da importância da mulher nos equipamentos de saúde da cidade, sendo que elas compõem 80% do quadro funcional. Registrou ainda que as mulheres sofrem não só violência física, mas moral e intelectual. “Ainda é necessário muita educação e qualidade de vida para as mulheres”, alertou.

Dados apresentados no evento deram conta de que, com exceção da faixa etária entre 5 e 9 anos de idade, em todas as demais a violência contra o gênero feminino é maior do que contra o gênero masculino. Assédio e estupro predominam em todas as faixas etárias, sendo que naquela entre 10 e 19 anos, o problema é mais frequente.

Novo medicamento contra o câncer deve combater proteínas que estimulam a doença

Por Dra. Ana Carolina Marcondes Machado Leprevost

 

Nos últimos anos aprendemos que o câncer de mama não é uma doença só! São várias doenças, com comportamentos ditados pela sua biologia molecular, com um único nome, pois começam no mesmo órgão: A MAMA. Baseado nisso, vários medicamentos estão sendo pesquisados e alguns com resultados muitos expressivos.

Aproximadamente 80% dos tumores mamários expressam receptores hormonais (de estrogênio e/ ou progesterona), ou seja, esses hormônios estimulariam o crescimento das células malignas. Já existem estratégias bem estabelecidas para impedir esse crescimento, tais como bloquear a fabricação de hormônios com os medicamentos da classe dos inibidores da aromatase (como o Letrozol, nome comercial Femara; o Anastrozol, nome comercial Arimidex; e o Exemestano, nome comercial Aromasin); e também bloquear o receptor do hormônio (como o Tamoxifeno, nome comercial Nolvadex, entre outros). A supressão da proteína dos receptores de estrogênio (como o fulvestranto, nome comercial Faslodex) também seria uma estratégia.

Uma das alterações mais importantes desse tipo de câncer de mama, recentemente identificado, foi a função muito aumentada de algumas proteínas que estimulam as células a crescerem e se multiplicarem, conhecidas como CDK4 e 6 (Cyclin-Dependent Kinase). Estas são partes normais da célula humana, mas que neste tipo de tumor funcionam muito mais rápido do que deveriam, fazendo o tumor crescer.

O Palbociclibe (nome comercial Ibrance) é um medicamento que age justamente bloqueando a ação destas proteínas. Recentemente foi solicitado a inclusão desse medicamento nos registros da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), não só como alternativa de tratamento para pacientes com doença metastática, mas como primeira linha em combinação com terapia endócrina:

– com letrozol como terapia endócrina inicial em mulheres pós-menopausa;

– com fulvestranto em mulheres que receberam terapia prévia.

A solicitação de registro foi protocolada em 1º de setembro de 2016. Foram solicitadas informações adicionais à empresa por meio de exigência técnica, e estas informações estão em avaliação pela Anvisa. O ensaio clínico com a substância já foi aprovado.

As diferenças da resposta sexual em homens e mulheres

Por Dr. José Antônio Leprevost Neto

As queixas de ordem sexual estão cada vez mais frequentes no consultório do ginecologista, sendo que as mais ouvidas são relacionadas ao desejo sexual. As mulheres falam da diminuição ou da falta da libido, e que seus parceiros reclamam que não são procurados por elas, ficando a iniciativa a cargo do homem. Essa queixa, muito comum em relacionamentos de longa duração, também acontece em relacionamentos recentes ou mesmos sem um parceiro fixo. A ausência de libido não é exclusiva de relacionamentos heterossexuais, ocorrendo também em casais homoafetivos. Isso não quer dizer obrigatoriamente que os problemas sexuais estejam aumentando, mas talvez signifique que a mulher há muito tempo abandonou a atitude passiva de simples aceitação das coisas como sempre lhe foram impostas culturalmente e no seu “empoderamento”, busca se apoderar também do seu corpo e de seu prazer. Por outro lado, o que se vê hoje são os próprios parceiros estimulando a mulher a procurar auxílio para “tratar” a ausência de desejo.

Mas há algo a ser tratado? Falando apenas de relacionamentos heterossexuais tradicionais, as respostas sexuais masculinas e femininas possuem algumas particularidades que as diferenciam, tanto no aspecto biológico, como no aspecto sócio-cultural. A resposta sexual é um processo constituído por uma seqüência conhecida de alterações fisiológicas que independem de qual seja a prática sexual (masturbação, coito, etc.). As diferenças entre homens e mulheres podem até facilitar as coisas para a maioria dos homens, pois biologicamente, as características físicas e hormonais, permitem que os membros do sexo masculino tenham uma reposta mais rápida às fantasias sexuais ou a qualquer estimulação erótica. Assim, um homem pode ter seus impulsos sexuais facilmente saciados. Se as experiências forem bem sucedidas, haverá reforços para comportamentos semelhantes posteriores e, por mecanismo de condicionamento, pode-se estabelecer um padrão, que geralmente vai modular a forma como o indivíduo se comportará com suas parceiras.

Esse padrão de “eficiência masculina”, que é enormemente reforçado pela nossa cultura, por vezes é prejudicial à mulher. Geralmente, a resposta sexual das mulheres é mais complexa que a dos homens. Poder-se-ia dizer que é mais rica e mais sensível. Se o relacionamento com o parceiro estiver a contento, se as condições de resposta estiverem preservadas, isto é, se não houver fatores inibitórios (como certos medicamentos, doenças ou problemas físicos) e a estimulação física for satisfatória, pode ocorrer a excitação sexual. A excitação desperta o desejo, que pode evoluir para a satisfação física e emocional. Essa satisfação feminina pode ser acompanhada de orgasmo (que nem sempre ocorre e nem em todas as relações, mas isto pode ser satisfatório para muitas mulheres).

As pessoas têm condições de resposta sexual variáveis, mais espontânea ou mais receptiva, sendo essa última forma mais comum nas mulheres. A resposta sexual feminina baseia-se mais na intimidade. Então, é natural a mulher “não procurar o parceiro”, colocando-se mais em uma situação de receptividade, e ser tanto mais receptiva quanto mais satisfatória tenha sua vivência sexual com aquele parceiro ou em suas experiências sexuais anteriores. Em relacionamentos de maior duração, em que a hábito da convivência está presente, é preponderante esta resposta chamada de cíclica (em que a intimidade, a privacidade e a estimulação física adequadas, levam à excitação e ao desejo sexual).

As mulheres então nos perguntam se é normal não sentir desejo, e se tem como tratamento. Com já descrito, na rotina do dia-a-dia o desejo sexual feminino espontâneo não é o mais comum, então não há que se falar em normalidade. Aliás, o conceito de “normalidade” não se aplica em sexualidade, desde que não estejamos falando em desvios sexuais (parafilias). O desejo sexual que se desperta, que reage em condições adequadas, não está ausente, apenas não está espontâneo. Como médicos, temos que estimular a mulher a despertar sua sexualidade e aos casais que busquem momentos de intimidade, com comunicação e estimulação física adequados. No homem, a capacidade de obter e manter uma ereção geralmente basta para retroalimentar sua excitação. Na mulher, a excitação depende mais de processos cognitivos (percepção, conhecimento, imaginação, memória) sobre os estímulos recebidos do que propriamente um processo genital.

É verdade que os casais não se mantém apenas movidos pelo sexo, mas os múltiplos apelos aos quais as pessoas são submetidas na sua rotina, e a grande carga de tarefas e necessidades que a sociedade e nós mesmos nos impomos, vão jogando a intimidade do casal para planos cada vez mais inferiores. Isso, associado à nossa estrutura cultural de sobrepor a produção ao prazer, torna os momentos íntimos a dois cada vez mais raros, o que pode afetar a sexualidade de um ou de ambos. A face sexual de um relacionamento pode ser uns dos pilares que o mantém ou que o destrói.

Minha primeira visita ao mastologista. E agora?

Por Dra. Ana Carolina Machado

Visitar com regularidade o ginecologista é hábito de muitas mulheres. No entanto, nem todas procuram com a mesma regularidade o consultório do mastologista.
De acordo com dados do Instituto Nacional do Câncer (Inca), o câncer de mama é câncer mais comum entre as mulheres no mundo e no Brasil, depois do de pele não melanoma, respondendo por cerca de 28% dos casos novos a cada ano. O mastologista, por ser o especialista em mamas, é o médico mais indicado para identificar e diagnosticar qualquer alteração nas mamas das pacientes, além de estar apto a realizar os exames mais adequados para descartar possibilidades ou iniciar os melhores tratamentos.
Na primeira consulta ao mastologista, a paciente vai ser examinada para que o médico possa avaliar se existem alterações, congênitas ou não, más formações, assimetrias e até alterações esticas.
De acordo com a mastologista Ana Carolina Machado, o especialista poderá, a partir do diagnóstico, identificar patologias benignas ou, caso haja suspeita de problemas mais graves, ele poderá indicar quais exames são recomendados. “Esta visita ao mastologista é importante porque, caso a paciente tenha percebido algum tipo de alteração nas mamas, o médico vai poder descartar chances de câncer de mama ou identificá-lo o mais precocemente possível, o que aumenta e muito as chances de cura”, explica a mastologista.
Além disso, alguns mastologistas fazem avaliações estéticas das mamas e estão aptos a fazerem correções deste tipo. Se você nunca procurou um mastologista, marque sua consulta e previna-se Quanto mais cedo forem diagnosticados problemas nas mamas, mais rápido e fácil será o tratamento.